Um Épico Satírico da Cocanha

07/03/2016

 

        Chegou na semana passada o opúsculo mais esperado do ano! O terceiro livro da trilogia dedicada à Terra da Cocanha foi arremessado no dia 29 de fevereiro, com grande estardalhaço. Infelizmente, o bissexto autor Joanim Pepperoni mais uma vez não pôde se fazer presente, mas enviou milhões de desculpas pelo fato, alegando estar correndo como um rato, e por isso ficou “preso” no trabalho.

          O magnífico resultado é a conclusão da famosa trilogia, iniciada em 2013, e que retrata sem concessões a cocanhice dos cocanheses. Do alto do quarto andar do Observatório Colonial, o autor investigou durante anos o comportamento e os costumes desse povo, utilizando-se de refinada arte poética para descrevê-lo.

         No primeiro volume, A Fantástica Máquina de Ensacar Berros (2013), Pepperoni traz parte do resultado de sua pesquisa, escrachando os principais valores que norteiam os cocanheses. Não por acaso a única referência direta em forma de homenagem é ao poeta satírico e crítico da colônia italiana em São Paulo, Juó Bananère. Na maior parte, os poemas que constituem o livro são paródias muito bem tecidas sobre a malha consagrada do nosso cânone poético: Drummond, Pessoa, Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Bandeira e os modernistas... Ali descobre que na cocanha o sabiá, como tudo que valha, não canta: trabalha. Também revela o grande trunfo do empreendedor cocanhês, a máquina de ensacar berros: enquanto se esfola o porco, a macchina ensaca o berro! Assim ele funda uma vertente cômico-literária sobre o ethos local:

                               “Na Terra da Cocanha

                               Cada qual exibe mais

                               Aquilo que (bar)ganha”

 

        O segundo volume da série, Viagem à Roda do Rio Tegão – seguida de “A Lenda da Polenta” (2014), é uma epopeia típica da época dos descobrimentos. Lembrando os grandes navegadores, com direito à evocação das ninfas do Tega, o relato de viagem segue num tom cômico-anárquico cheio de referências históricas e literárias para criar o mito fundador da Terra da Cocanha, mais uma vez desbravando o pouco explorado terreno dos costumes e valores locais. Dentre tantas referências, Camões, Cervantes, Marco Polo, Almeida Garrett, Julio Verne, Xavier de Maistre e até Cesário Verde. A Terra da Cocanha tem agora sua própria epopeia!

       E eis que chega agora, e bem a tempo, o fabuloso desfecho da trilogia. A Revolta do Moinho (2016) é uma peça teatral que entra igualmente para nosso cânone literário, com o subtítulo “ou A Guerra da Polenta ou O Levante das Espigas”. Uma comédia em cinco atos violentos, dedicada à elite intelectual, política e industrial de Polentawood. Um libelo do povo trabalhador, representado pelo Debulhador Maneta, onde o autor dispara setas ácidas para todos os lados, com referências a diversas personalidades locais – ora veladas, ora explícitas. Sem deixar de lembrar as grandes peças cômicas como as de Molière e Shakespeare, o texto também lembra o melhor de Jarry e Qorpo Santo, mas com a necessária violência que o cenário local exige. Um fechamento com chave de ouro para nossa trilogia épica!

        Com isso tem o leitor um vasto panorama da cultura local, dos costumes e valores da Terra da Cocanha, do ethos e do pathos de um povo que não tinha tido tempo para lançar sobre si um olhar distanciado do próprio umbigo, e que agora pode se reconhecer no âmago de suas ambiguidades e de sua peculiar visão de mundo. Três modestos opúsculos que vêm para ficar na nossa história literária, e, contrariando o costume, distribuídos gratuitamente. Até essa publicação ainda existem exemplares dos três títulos a serem distribuídos.

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